Coordenadores: Profª Drª. Maria de Lourdes Faria dos Santos Paniago (UFG/Regional Jataí) e Profª. Drª. Ismara Eliane Vidal de Souza Tasso (UEM).

Resumo: Neste Grupo Temático, pretende-se pensar e discutir estudos que problematizem o sujeito e o poder, a partir dos postulados de Michel Foucault. Em O sujeito e o poder (1984), Foucault afirma que o tema central de suas pesquisas é o sujeito, o que nos permite voltar aos processos de objetivação e de subjetivação que “transformaram os seres humanos em sujeito” (FOUCAULT, 1984, p. 236), pois, é a partir desses processos que o sujeito exerce suas práticas sobre as coisas, os outros e si mesmo. Assim, pode-se afirmar que o sujeito é uma construção histórica, reportada a possíveis posições subjetivas, tendo em vista que o que importa, nessa perspectiva, é a emergência de seus enunciados, que estão diretamente relacionados com quem os enuncia. As enunciações são responsáveis por legitimar ou não, por permitir ou não que se ocupe uma dada posição sujeito. Por isso, as modalidades enunciativas (FOUCAULT, 2004) possibilitam a pluralidade de posições que o sujeito pode ocupar, posições essas que são reguladas por práticas discursivas. Nesse sentido, o sujeito é uma constante produção no interior da história. Para Foucault, o sujeito tem acesso a si por meio de um jogo de relações de poderes e saberes. Não se trata de um poder institucional, mas de micropoderes, disseminados por toda a sociedade, por meio dos quais todos disciplinarizam a si e aos outros. O trabalho de Foucault consiste muito mais em analisar o processo de sujeição, o conjunto de obstáculos que antecedem à constituição dos sujeitos. Foucault tenta mostrar, numa postura decididamente não filosófica, como, a partir de mecanismos sociais complexos que incidem sobre os corpos, muito antes de atingir as consciências, foram se dando historicamente várias formas de sujeição. Para Foucault, o exercício de poder é um modo de ação de alguns sobre os outros, que não pode ser confundido com uma simples relação entre parceiros. Portanto, o modo de ação direta de um sobre os outros é o que define uma relação de poder, que se articula sobre dois elementos que lhe são indispensáveis: i) “o outro” (aquele sobre o qual ela se exerce); ii) a abertura de um campo de respostas, reações, efeitos e invenções possíveis. As práticas de subjetivação, tratadas por Foucault, relacionam-se à noção de corpo, uma vez que esses estão submetidos às técnicas e às tecnologias de poder presentes em toda a sociedade, atreladas a dispositivos políticos (da sexualidade, pedagógicos, religiosos etc.), cujas ênfases incidem sobre instituições governamentais ou não, tais como: escolas, hospitais, prisões.
Acreditamos que falar sobre regimes de (in)visibilidade e de práticas de subjetivação na sociedade em que vivemos contribui imensamente com as reflexões propostas pela temática geral do V CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA: NOVAS EPISTEMES E NARRATIVAS CONTEMPORÂNEAS, especialmente porque a teoria de Foucault nos ajuda a compreender de que forma os efeitos do colonialismo continuam presentes.