E-book Discurso, Cultura e Mídia Pesquisas em Rede- SEDISCREGIMES DE VERDADE E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS CONTEMPORÂNEAS EM (CIBER)ESPAÇO. (Tácia Rocha e Ismara Tasso)

A sociedade contemporânea em rede, impulsionada pelas Novas Tecnologias da Informação (TICs) e sob o regime da biopolítica, faz circular no ciberespaço práticas discursivas de subjetivação que instituem condutas para o profissional da educação bem sucedido. Um desses segmentos é o Instituto Inspirare cujos programas tem por missão “inspirar inovações em iniciativas empreendedoras, políticas públicas, programas e investimentos que melhorem a qualidade da educação no Brasil”. Trata-se de uma vontade de verdade das novas práticas pedagógicas correspondentes às inovações na educação contemporânea, amparada por um suporte institucional, reforçada e reconduzida por saberes tecnológico e pedagógico. A investigação dos mecanismos de construção desses discursos está ancorada nos pressupostos teórico-metodológicos da Análise do Discurso franco-brasileira, especialmente pela função enunciativa derivada de Michel Foucault. Diante da condição de a “inovação” constituir a palavra de ordem da atualidade, a pesquisa, em nível de Mestrado (2015-2017), desenvolvida na Universidade de Maringá – UEM e vinculada ao GEDUEM-CNPq, é mobilizada pela questão: como o dispositivo “inteligência coletiva inovadora” institui modos de conduta para a constituição do professor inovador no ciberespaço Porvir?

(Este artigo foi discutido durante o II Seminário Nacional Discurso Cultura e Mídia, realizado em junho de 2015 na Unisul em Palhoça, Santa Catarina. O seminário reuniu os grupos de pesquisa em Análise do Discurso da região sudeste e sul do Brasil.)

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E-book Discurso, Cultura e Mídia Pesquisas em Rede- SEDISCOS ENUNCIADOS E SUAS MÚLTIPLAS SIGNIFICAÇÕES NO CONTEXTO DO VESTIBULAR INDÍGENA. (Luana de Souza Vitoriano)

Enquanto prática discursiva, o Vestibular para os Povos Indígenas no Paraná possibilita dar visibilidade às divergências culturais e linguísticas do sujeito indígena contemporâneo e cria condições para que os enunciados elaborados pelos candidatos inscritos revelem (ou não) sua proficiência, na modalidade escrita, da Língua Portuguesa. Visamos, portanto, investigar os enunciados das produções textuais em suas múltiplas significações, por meio de uma análise linguístico-discursiva, assim sendo, nossa análise explorará os modos como são empregadas, nesses enunciados, as formas verbais (em suas características de: tempo, modo e aspecto) e as construções adverbiais, para que, posteriormente possamos traçar o gesto teórico-analítico, que consistirá em três movimentos: a) compreender de que maneira tais usos funcionam discursivamente na totalidade do texto; b) depreender as possibilidades de visualizar os funcionamentos linguísticos e discursivos que compõem os enunciados das redações; c) discutir as noções de função enunciativa, que integram tais enunciados. Para tanto, selecionamos como corpus de investigação, cinco redações produzidas pelos candidatos inscritos no II vestibular indígena, realizado no ano de 2003. O percurso teórico-analítico estabelece-se sob o regime de olhar da Análise do Discurso, priorizando, especialmente, os princípios de função enunciativa, verdade e biopolítica, erigidos por Michel Foucault (2012).

(Este artigo foi discutido durante o II Seminário Nacional Discurso Cultura e Mídia, realizado em junho de 2015 na Unisul em Palhoça, Santa Catarina. O seminário reuniu os grupos de pesquisa em Análise do Discurso da região sudeste e sul do Brasil.)

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Um tour pelos efeitos da virtualização (dos espaços) da arte: os casos do Museu Casa de Portinari e Portal Projeto Portinari (Jefferson Campos)

Este capítulo é uma versão revista e ampliada de algumas das considerações tecidas em minha dissertação de mestrado, financiada pela CAPES, intitulada A imagem em discurso digital: heterotopia dos regimes de ver e de dizer a arte no espaço virtual (CAMPOS, 2014). De igual modo, é fruto das pesquisas que sigo desenvolvendo no campo teórico e aplicado da Estudos Discursivos Foucaultianos junto ao Grupo de Estudo em Análise do Discurso da UEM (GEDUEM/CNPq – www.geduem.com.br). Nesse movimento de retomada, proponho o objetivo de explicitar a maneira pela qual o político, efeito do exercício da governamentalidade, se materializa no artístico, enquanto prática discursiva situada na contemporaneidade, como uma demanda do social, constituidora e constituinte dos efeitos pelos quais a noção de sujeito se estabelece na ordem da sociedade biopolítica. Para tanto, elejo para a análise a espessura material gerada por algumas formas de deslocamento virtual pelos sites Museu Casa de Portinari2 e Portal Projeto Portinari

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Demandas do tempo presente na formação de professores de línguas: leitura, escola e algumas contribuições dos Estudos Discursivos Foucaultianos (Jefferson Campos e Aline Almeida Inhoti)

Com a finalidade de pensar a atualidade a partir dos Estudos Discursivos Foucaultianos, nossa intervenção se consolida a partir de um duplo movimento: primeiro, refletimos sobre o modo de composição do quadro teórico analítico em que se inscrevem os trajetos temáticos de um grupo de pesquisa que engloba pesquisadores e pesquisadoras de programas de iniciação científica ao pós-doutorado, atentos às demandas contemporâneas a que essas pesquisas respondem, especialmente, no que tange ao aprimoramento dos dispositivos teóricos de/para leitura de diferentes corpora afetos ao ambiente escolar; na sequência, analisamos o que entendemos se tratar da maquinaria discursiva do dispositivo de formação inicial e continuada de professores que estabelece as leis, normas e padrões de conduta que ora sustentam a formação dos pesquisadores/pesquisadoras/profissionais envolvidos, ora delineia o efeito de verdade sobre os fundamentos da leitura enquanto prática eminentemente escolar, por flutuar no campo do ensino e da aprendizagem. Para tanto, organizamos nossa incursão neste estudo, questionando quais são as condições que conduzem o funcionamento de um grupo de estudos em análise do discurso e quais os efeitos dessa condução no delineamento da estrutura de um dispositivo de controle que responde ao verdadeiro da época sobre as práticas de leitura no Brasil do tempo presente? Perseguimos esses questionamentos orientando o trabalho da seguinte maneira: na primeira seção, apresentamos o Grupo de Estudos em Análise do Discurso da UEM (GEDUEM/CNPq), grupo sobre o qual lançaremos nosso olhar. Nosso interesse, especialmente, é delimitar quais são as orientações teórico-metodológicas que estão implicadas nos trajetos temáticos desenvolvidos pelas pesquisas desse grupo. Na sequência, discutimos alguns avanços no que tange ao tratamento da leitura enquanto eixo de ensino no trabalho com a Língua Portuguesa na educação básica e, por fim, analisamos como alguns dos diferentes elementos envolvidos no processo de organização do conteúdo de leitura, assim como a formação do professor de língua portuguesa perpassam pelo crivo do funcionamento do dispositivo de formação inicial e continuada.

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Introdução (Jefferson Campos e Rodrigo Pedro Casteleira)

Estratégia de resistência. Demarcação de espaços e de lugares de fala. Insurreições epistemológicas. Políticas de afeto. Diálogo. Eis alguns dos vários motivos que nos encaminharam à organização dessa obra. Porém, de certo modo, o privilégio da escrita, na academia, sob a tutela de bases epistemológicas consolidadas, durante nossa formação como graduados, mestres e doutores, constituem, no atual contexto social, cultural, histórico e, especialmente, político, na América Latina e no mundo, o mote para que, nas páginas que seguem, tenhamos razões para escrever. Como bem nos lembra Conceição Evaristo a esse respeito: escrevemos para existir, escrevemos porque existimos.

(En)Cena(ção) negra militante em tempos de democracia: uma política de ressentimento? (Jefferson Campos e Rodrigo Pedro Casteleira)

Este texto demarca um espaço de afeto e de militância epistêmica proposto como revide às rasteiras que datam dos momentos políticos brasileiros pós 2015 e responde, no nível epistêmico, entre outras coisas, à acusação de que, reivindicar lugar de fala no centro da produção de saberes, condiz a uma política de ressentimento. Tal formulação deriva do que consideramos ser o modo de nominação da posição demarcada às movimentações bélicas da negritude no campo da ciência e da militância em razão das relações de poder estabelecidas pela branquitude. Contudo, tentaremos apontar, na historicidade da existência negra no Brasil, algumas demarcações específicas e geradoras desses “ressentimentos” sob o viés decolonial.

Debates decoloniais, sexualidades, gêneros e interseccionalidade (Jefferson Campos e Rodrigo Pedro Casteleira)

Esta coletânea de textos, em seu conjunto, é um emaranhado complexo e coeso de dispositivos da ordem do autoficcional, do estético, do científico decolonial e do epistemologicamente resistente que se concretiza na escrita como prática: (i) política, porque belicosa em relação à epistemologia brancacisheteronormativa; (ii) teórico-metodológica, porque permite-nos, nos nossos aquilomabamentos diários, resistir na academia e; militante, porque levanta a voz preta, periférica, bixa, lésbica, indígena, latina, de mulher, de homem, de drag, de infames que, ao imprimirem saberes no preto e branco do papel, à luz da chancela do ‘poder dizer” atrelado à materialidade do livro, à seleção dos organizadores, à conferência da editora, à validação do corpo editorial e do comitê científico, são significados pela autoridade intelectual dos que, por muito tempo, foram interrompidos, silenciados, ignorados ou esquecidos. Com isso, entendemos com Carla Akotirene (2019, p. 19) que esse viés intereseccional do debate a que nos propomos “[…] visa dar instrumentalidade teóricometodológica à inseparabilidade estrutural do racismo, capitalismo e cisheteropatriarcado” que combatemos, na palavra, na vida e com a nossa vida.

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Transexualidade Infantil no Cinema Francês: Regimes de (In)visibilidade (Maraisa Daiana da Silva, Talita Dias Tomé, Ismara Tasso)

Dada a emergência que a temática transexualidade infantil apresenta no Brasil, especialmente pelas instituições: escolar, jurídica e familiar, o objetivo das reflexões teórico-analiticas apresentadas busca, inicialmente, descrever o modo como essa temática é discursivizada em duas materialidades fílmicas no cinema francês: Ma vie en Rose (1997) e Tomboy (2011). Com tal empenho, recorremos às categorias teóricas foucaultianas de dispositivos, verdade/vontade de verdade e biopolítica em busca de compreender o funcionamento discursivo pela formação dos conceitos, delineadas pelos campos de presença e de concomitância, para, posteriormente, avaliar a viabilidade de utilização dessas duas produções em sala de aula.


No meio do Caminho – Uma abordagem de leitura para o ensino Fundamental (Maraisa Daiana da Silva)

O contexto gerador deste estudo parte das dificuldades no processo de transposição didática e no reconhecimento dos conteúdos formadores teórico-metodológicos de Língua Portuguesa e de Literatura, especialmente, no que se refere ao ensino de leitura e letramento literário para o Ensino Fundamental. Sendo assim, este capítulo traz uma proposta didático-pedagógica que visa à leitura, ao letramento literário, à analise linguística e a escrita, com os seguintes objetivos específicos: a) avaliação das condições de abordagem do texto literário na escola; b) leitura de textos teóricos relativos ao letramento literário e à educação literária; c) investigação das preferências e dificuldades dos alunos dos anos finais do EF; d) composição de um plano de intervenção de educação literária. Este estudo foi desenvolvido tendo como referencial teórico a Análise Dialógica do Discurso, especialmente com as noções de gênero discursivos, contexto de produção, concepção de escrita como trabalho, revisão e reescrita, além do Interacionismo Sociodiscursivo, na sua vertente didática.


Identidades em movimento: midiativismo dos povos indígenas na materialidade videográfica “demarcação já!” (Luana Vitoriano-Gonçalves e Rafael Fernandes)

RESUMO: Em 2017, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) se organizou e se mobilizou na Esplanada dos Ministérios em defesa de seus direitos. Como uma forma de representação identitária, o videoclipe Demarcação Já!, publicado no YouTube, em 24 de abril de 2017, por meio do canal Mobilização Nacional Indígena, reúne artistas brasileiros indígenas e não indígenas e evidencia a emergência do midiativismo indígena. Na contemporaneidade, a mídia exerce o papel de dispositivo discursivo capaz de construir uma “história do presente” (GREGOLIN, 2007). Nesse sentido, a problematização que nos move é: de que modo o dispositivo da preservação e valorização cultural indígena rege o funcionamento da materialidade videográfica Demarcação Já! e cria espaços de visibilidade para as condições de (co)existência dos povos indígenas e para as relações de saber e poder entre populações não indígenas e indígenas no Brasil? Sendo assim, elencamos como objetivo geral: compreender, a partir das representações de tempo (demarcação já) e de lugar (deixa os índio lá), os modos como se constituem as (re)construções identitárias dos sujeitos indígenas e os movimentos de subjetivação e resistência aos poderes públicos que emergem nessa prática de midiativismo. Para tanto, nos embasaremos teoricamente na Análise do Discurso, em especial, Foucault (2008; 2010; 2016), Gregolin (2007) e nos estudos culturais com base em Chauí (2006) e Bauman (2003; 2005; 2012).

Palavras-chave: Midiativismo. Identidade. Sujeito indígena. Resistência.

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