Globalização Cultural, (Des)territorialização e política linguística educacional na e para a constituição identitária do sujeito indígenaGLOBALIZAÇÃO CULTURAL, (DES)
TERRITORIALIZAÇÃO E POLÍTICA
LINGUÍSTICA EDUCACIONAL NA E PARA
A CONSTITUIÇÃO IDENTITÁRIA DO
SUJEITO INDÍGENA (Ismara Tasso, Jefferson Campos e Margarida Liss)

RESUMO: O artigo objetiva demonstrar, subsidiados em noções da Análise do Discurso erigidas por Foucault (1996, 2006, 2007a, 2007b, 2008) e dos Estudos Culturais, em Hall (2006) e Silva (2007), como o Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas constitui-se em dispositivo que ora segrega e ora agrega as línguas indígenas em espaços territoriais delimitados, e como contribui para a (des)constituição da identidade linguística do sujeito indígena, no território nacional
exterior às suas terras.

Palavras-chave: identidade linguística; (des)territorialização; políticas linguísticas.

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Stances of (in)visibility of the female Negro body-focusing on portinaris pictorial aestheticsStances of (in)visibility of the female Negro body: focusing on portinaris pictorial aesthetics
(Ismara Tasso e Jefferson Campos)

ABSTRACT: Current analysis investigates the manner identity constitution and black female;s visual representation in Portinaris iconography is shown within the theoretical presuppositions of the French Discourse Analysis in alignment with the theoretical bases of Peirces Semiotics, the History of the Body and Cultural Studies. The social and the political factors are understood through an interpretative stance, within the paradoxical state of intangible significant materiality. The descriptive, interpretative, archeological and genealogical movement showed that the half-naked body is presented as erotic, perceived as exotic and treated as profane. The movement also showed that sensuality is signified and re-signified by the marginal since it works with discursive memory which conceives the exotic as an order opposed to existence, namely the profane order, and the place in which the subjects of difference encounter one another

Key-words: visual representation; identity; negro woman; social and political factors

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Agency regimes of subjects with disability: norm, normalization and identity on the screen
(Ismara Tasso e Érica Danielle Silva)

ABSTRACT: The identity of subjects with disabilities has gradually and progressively become more visible on the TV screen in the wake of the order of the law and the history of abnormal subjects. Conditions of possibilities have been created for the circulation and establishment of practices that institute and promote inclusion policies. Their emergency is basically foregrounded on principles related to the progress of science and its application in several fields and to the involvement of several sectors of society for the common good (SILVA, 1987). Current essay demonstrates the manner the identity constitution of the subject with disabilities is established in Brazil under the aegis of governamentability through complex relationships of power within society. The descriptive and interpretative archeological genealogical movement used in a TV advertisement during the National Week of People with Disabilities in 2009 revealed a language, verbal and imagistic, transmitting a symbolical organization that represents a form of agency of self, State and the Other. It deals with regimes of governamentality propped by law and placed to work within society.

Keywords: governamentality; subjects with disabilities; identity.

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A (in)visibilidade da monstruosidade do corpo deficiente na pela história e a produção de sentidos na contemporaneidadeA (in)visibilidade da monstruosidade do corpo deficiente na/pela história e a produção de sentidos na contemporaneidade
(Érica Danielle Silva)

RESUMO: Filiando-nos aos pressupostos teóricos de Michel Foucault, tomamos como objeto de reflexão o sujeito deficiente, inquietados pelas estratégias e mecanismos linguístico-discursivos que promovem a (in)visibilidade da pessoa com deficiência na/pela histo?ria. Neste texto, objetivamos compreender a monstruosidade do corpo como um dispositivo do olhar cujas técnicas são moldadas e atualizadas de acordo com o investimento político dispensado ao corpo deficiente em condições de produção específicas. Para tanto, levantamos as condições de existência dos discursos que constituem a monstruosidade do corpo deficiente até o século XIX e discutimos, a partir de enunciados efetivamente produzidos, como esse regime do olhar produz sentidos em condições de produção outras.

Palavras-chave: Sujeito com deficiência; Monstruosidade; Memória discursiva; Análise do Discurso.

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Prática discursiva midiática- a pessoa com deficiência no seriado MalhaçãoPrática discursiva midiática: a pessoa com deficiência no seriado “Malhação”
(Ismara Tasso e Érica Danielle Silva)

RESUMO: Este texto privilegia a constituição identitária do sujeito com deficiência nas práticas discursivas midiáticas na contemporaneidade. Consideramos que esse sujeito é constituído tanto pelas condições biológicas, físicas ou comportamentais, como também por complexas relações entre mecanismos e estratégias de identificação, que articulam o que pode e deve ser dito no jogo de interdições, no momento socio-histórico da produção dos enunciados. Problematizamos, assim, o modo como a mídia tem colocado em circulação a representação da constituição identitária do sujeito com deficiência, haja vista as relações de saber-poder que estão envolvidas nessa prática normalizadora.

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Discurso imagético, representação e identidade indígena- questões teórico-analíticasDiscurso imagético, representação e identidade indígena: questões teórico-analíticas
(Ismara Tasso e Raquel Gregadolli Gonçalves)

RESUMO: Ler imagens como materialidade discursiva é o empreendimento deste trabalho teórico-analítico, justificado pelas demandas da contemporaneidade no campo educacional, tecnológico e comunicacional. Sob a perspectiva da Análise do Discurso de linha francesa e de seus desdobramentos no Brasil, em interfaces com os Estudos Culturais, o movimento descritivo-interpretativo mobilizado buscou compreender o modo como a representação visual e as identidades para o sujeito indígena foram construídas no Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas (RCNEI).

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Discurso em imagem- verdade, fotografia-documentário e o inventário do realDiscurso em imagem: verdade, fotografia-documentário e o inventário do real
(Ismara Tasso)

RESUMO: Neste artigo, o percurso traçado pelo movimento analítico arqueogenealógico visou compreender como a série enunciativa iconográfica do acontecimento “Brasil, 500 anos” alçou o status de inventário do real, a partir do modo como corpos em vigília foram retratados pela mídia, desvelando, com isso, modos de dizer e de olhar a interculturalidade na contemporaneidade em tempo e espaço inapropriados ao indesejável acontecimento. O estudo demandou reflexões sobre a prática discursiva midiática circunscrita ao acontecimento para as quais delineamos procedimentos analíticos ajustados à empreitada de escavar e de desvelar espaços de revigoramento do acontecimento materializado em fotografias-documentais/monumentais. Para tanto, apontamos relações que permitiram a individualidade dos enunciados relativos aos dispositivos interculturalidade, política afirmativa e biopolítica, assim como, identificar a intolerância como o referencial para as condições de (co)existência enunciativa e para a condição de realidade da dispersão do objeto constituído por essa série enunciativa.

Palavras-chave: Acontecimento; fotografia-documento; inventário do real; biopolítica.

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Identidade e Subjetividade- o sujeito com deficiência no documentário Ver e crerIdentidade e Subjetividade: o sujeito com deficiência no documentário “Ver e crer”
(Érica Danielle Silva e Ismara Tasso)

RESUMO: Diante da singularidade conferida ao regime de (in)visibilidade da pessoa com deficiência, na contemporaneidade, este estudo privilegia a constituição identitária desse sujeito à medida que ele é discursivizado por complexas relações entre os domínios do saber, do poder e da ética. Tal inquietação mobiliza-nos a empreender um gesto de leitura acerca do documentário “Ver e crer” exibido no festival de filmes “;Assim vivemos” (2007). Com base nos pressupostos teóricos dos Estudos Culturais acerca da questão da identidade, em associação com as noções de subjetividade e das práticas de si, caras ao solo epistemológico da Análise do Discurso de linha foucaultiana, buscamos compreender o modo como é dada a constituição identitária a partir das relações estabelecidas entre a representação visual do sujeito com deficiência e as condições de (co)existência enunciativa sobre o corpo deficiente. Na materialidade fílmica, objeto da análise empreendida, as estratégias e os mecanismos linguístico-discursivos empregados no documentário dão visibilidade ao exercício de um governo do outro, legitimado pela cultura da inclusão. Ocupar-se consigo mesmo é o fio condutor da discursivização da relação entre subjetividade e verdade,
que permeia a vontade de verdade sobre a inclusão construída na sociedade contemporânea.

Palavras-chave: Identidade. Subjetividade. Sujeito com deficiência.

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A PRÁTICA ASCÉTICA E O CORPO COM DEFICIÊNCIA O DISPOSITIVO DA INTIMIDADE NA PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA DOCUMENTALA PRÁTICA ASCÉTICA E O CORPO COM DEFICIÊNCIA: O DISPOSITIVO DA INTIMIDADE NA PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA DOCUMENTAL
(Érica Danielle Silva)

RESUMO: Em continuidade aos estudos que temos desenvolvido sobre a discursivização do corpo com deficiência, o percurso aqui proposto perpassa a prática discursiva cinematográfica contemporânea, cuja combinação entre o visível e o dizível constituem saberes próprios a cada formação histórica, que articulam o aparecimento, a disseminação e o silenciamento de tecnologias políticas do corpo. Dentre as atuais práticas discursivas cinematográficas nacionais, chamou-nos a atenção os documentários mais votados na edição de 2007 do Festival Internacional de Filmes “Assim Vivemos”, promovido e patrocinado pelo Ministério da Cultura e pelo Banco do Brasil. A natureza instrumental das produções fílmicas, nesse festival, viabiliza tomar o documentário como um monumento (FOUCAULT, 2007a), que coloca em circulação uma rede aberta de similitudes, cujos elementos teriam lugar e função de simulacro (FOUCAULT, 2008a). Sob tal delineamento, nos propusemos a compreender o eixo discursivo que organiza as condições de reconstituição enunciativa documental, que, por sua vez, constituem as condições de possibilidade de objetivação e de subjetivação do sujeito com deficiência, qualificando alguns efeitos de sentidos como verdadeiros. Filiando-nos aos pressupostos teórico-metodológicos foucaultianos, nos foi possível cingir o dispositivo da intimidade como norteador da prática discursiva documental, cujo efeito de verdade possibilita uma transição da política para a ética do corpo com deficiência. Asseveramos, assim, que a representação do verdadeiro, por meio das produções documentárias, revela que os jogos entre saber-poder deixam de ser coercitivos e passam a se exercer pela prática ascética de si, alternativa às estratégias de subjetivação do poder na contemporaneidade.

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(IN)VISIBILIDADES DOS CORPOS EM VIGÍLIA- REGIMES DE VERDADE SOBRE EM POLÍTICAS AFIRMATIVAS E CINEMATOGRÁFICAS(IN)VISIBILIDADES DOS CORPOS EM VIGÍLIA: REGIMES DE VERDADE SOBRE/EM POLÍTICAS AFIRMATIVAS E CINEMATOGRÁFICAS
(Ismara Tasso)

RESUMO: A abordagem da materialidade fílmica sobre a qual desenvolvemos o presente estudo teórico-analítico delineia-se em parâmetros da linguagem estéticodocumental, amparada, fundamentalmente, no arcabouço teórico da Análise do Discurso e de seus desdobramentos no Brasil, em diálogo com teorias do cinema e dos Estudos Culturais. Sob tal direção, o escopo teórico-analítico alinhava-se e agencia as noções foucaultianas de saber, poder, verdade e biopolítica, para que o trajeto aqui proposto confira o regime do olhar os corpos de que se trata na obra cinematográfica em foco. Ao conjugar língua(gem), história e memória, buscou-se a compreensão de como e por que o filme “LA TERRA DEGLI UOMIN ROSSI: BIRDWATCHERS – Terra Vermelha”, enquanto materialidade discursiva ficcional, dotada de propriedades singulares do documentário, imprime efeitos de verdade e institui regimes do olhar o corpo étnico para além do mítico e do diverso, já que o cinema sempre contará o que os movimentos e os tempos da imagem lhe fazem contar. Dessa forma e com pujança determinante de saberes técnicos, historiográficos e políticos, a produção fílmica assinalada explora conceitos étnicos, colonialistas e de desigualdade social que desestabilizam o poder instituído, e fazem irromper o sujeito da resistência, restitui ao indígena guaranikaiowá o status de guerreiro da contemporaneidade e, fundamentalmente, humaniza-o como sujeito ordinário no e do mundo.

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Linguagem em (Dis)curso, vol 12, n 1 2014Estados paradoxais das ordens do ver e do dizer: a identidade da mulher brasileira em uma propaganda institucional de homenagem ao dia internacional da mulher
(Jefferson Gustavo dos Santos Campos e Dulce Elena Coelho Barros)

RESUMO: Neste artigo, analisamos a propaganda institucional videográfica da Caixa Econômica Federal de homenagem ao Dia Internacional da Mulher, veiculada no ano de 2010. Com base nos pressupostos da Análise Crítica do Discurso (ACD) em suas relações profícuas com algumas noções da Análise de Discurso dita francesa e com a gramática do design visual, buscamos demonstrar a sustentação de uma identidade marginalizada da mulher brasileira nessa materialidade a partir do que chamamos de ‘estados paradoxais das ordens do ver e do dizer’. Considerando a relação direta entre a materialidade textual, em sua composição multimodal, e as relações sociais que dela derivam, apontamos a contradição entre homenagear, no nível verbal, e homenagear, no nível imagético. A inflexão da materialidade sobre os sentidos denuncia a permanência, ainda que latente, das determinações sociais sobre as práticas linguísticas configuradoras da identidade da mulher brasileira.

Palavras-chave: Propaganda institucional. Análise Crítica. Determinações sociais. Identidade feminina. Contradição.

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O PROCESSO TRADUTÓRIO NA CAMPANHA ROSIE THE RIVETER- A QUESTÃO DA VISIBILIDADE DO SUJEITO COM DEFICIÊNCIAO PROCESSO TRADUTÓRIO NA CAMPANHA “ROSIE THE RIVETER”: A QUESTÃO DA VISIBILIDADE DO SUJEITO COM DEFICIÊNCIA
(Érica Silva e Ismara Tasso)

RESUMO: Este artigo tem como objetivo geral trazer à tona algumas discussões acerca da noção de processo tradutório, reconhecendo a existência de mecanismos de produção de sentidos materializados em práticas tradutórias no entrecruzamento da língua e do discurso. Assumindo uma visão discursiva, partimos da hipótese de que a tradução é produtora de significados que podem ser construídos por regimes políticos, sociais, econômicos e institucionais de produção de verdades em um Determinado momento histórico. Objetivamos, de modo específico, refletir sobre o processo tradutório de um texto selecionado a partir de um corpus composto por três materialidades, considerados neste estudo como traduções (intra)interlinguais do cartaz criado por J. Howard Miller para uma campanha divulgada durante a segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos, que tem como personagem principal Rosie the Riveter. Problematizamos, então, as condições de produção de uma das traduções destacadas, cuja personagem Rosie the Riveter é representada por uma jovem com Síndrome de Down, tomando esse objeto como um lugar em que se pode desvendar as perturbações da continuidade histórica que se cruzam em sua constituição.

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Estudos Linguísticos (língua(gem), discurso e ensino) e suas interfaces.Revista Eletrônica Interfaces:  Estudos Linguísticos (língua(gem), discurso e ensino) e suas interfaces.
(Ismara Tasso e Jefferson Campos)

Ismara Tasso e Jefferson Campos organizaram uma das edições da revista “Interfaces” (Volume 6, n.1), destinado à grande área dos Estudos Linguísticos. A revista é composta de 10 artigos, os quais, em seu conjunto, resultam de pesquisas teóricas e aplicadas, produzidas por pesquisadores de diferentes regiões do Brasil e em cujos escopos teórico-metodológicos e analíticos encontram-se contempladas as subáreas da Linguística
Aplicada, dos Novos Estudos do Letramento, da Análise do Discurso franco-brasileira, da Análise Crítica do Discurso, da Sociolinguística, da Semântica Discursiva e da Fonologia.


Redisco - Revista eletrônica de Estudos do Discurso e do CorpoRevista Eletrônica de Estudos do Discurso e do Corpo (REDISCO) – Imagens e movimentos do sujeito
(Érica Silva e Cecília Barros-Cairo)

O volume 7 da REDISCO é composta por artigos de doutorandos que passaram pela experiência do estágio-sanduíche na França, em 2014. Essa edição conta também com um artigo do professor Philippe Dubois e com uma tradução de um artigo da professora Arianna Sforzini. A heterogeneidade teórico-metodológica dos percursos de pesquisa nos mostra quão rica e complementar pode ser a abordagem das movências do sujeito. A pesquisadora do GEDUEM, uma das organizadoras da obra, também contribuiu com o artigo intitulado “A ficcionalização da normalidade e as tecnologias de poder sobre a vida”.


o corpoRegularidades discursivas e proficiência no vestibular indígena
(Luana de Souza Vitoriano)

A pesquisadora Luana de Souza Vitoriano, publicou o artigo intitulado “Regularidades discursivas e proficiências no vestibular indígena”, na revista O Corpo é discurso (Labedisco), edição n. 42, Março de 2015. O estudo buscou abranger as utilizações das modalidades adverbiais e das conjunções, presentes nas produções textuais, dos candidatos indígenas do Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná, bem como constatar o modo como a proficiência em Língua Portuguesa é atestada (ou não) na coerência dessas marcas linguísticas, e, ainda, contrastar os resultados entre as redações a fim de identificar tanto as regularidades discursivas, quanto as regularidades estabelecidas no processo de construção dos enunciados conforme os padrões requeridos na modalidade escrita da língua portuguesa.

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 A heterotopia no discurso fotográfico: o espaço do sujeito ‘invasor’ (Maraisa Daiana da Silva e Ismara Tasso)

RESUMO: Este artigo, fundamentado nas teorias da Análise do Discurso de base foucaultiana, traz à tona a emergência do discurso da inclusão social, a qual requer repensar o sujeito ‘invasor’, ressignificando-o no interior das práticas sociais, de modo a questionar como é possível entender as construções de contraespaços, nos quais esse sujeito vive. Assim, considerando a urgência de definir o posicionamento desse sujeito excluído, elegeu-se por objetivo refletir como o espaço outro de um conjunto de prédios ocupados, denominado, ironicamente, Copacabana Palace, a partir do movimento descritivo-interpretativo arqueogenealógico, é discursivizado em uma série enunciativa constituída por imagens fotográficas produzidas por Bauza (2016). Nesse intuito, a opção metodológica adotada para a realização deste estudo se centrou em uma abordagem qualitativa do objeto de análise. Diante disso, a sensibilidade das imagens permitiu repensar as condições de emergência e de (co)existência enunciativas sobre o espaço outro que, à margem da sociedade, certos sujeitos ocupam, fugindo da geografia arquitetada e manipulada da biopolítica. Dessa maneira, salientamos que as experiências do cotidiano dos sujeitos ‘invasores’ aqui tratados apresentaram um conjunto de relações pelo qual se podem definir os diferentes posicionamentos em cujas ações questionam, subvertem e transgridem a ordem institucional preestabelecida. Assim, o sujeito ‘invasor’ delimita seu espaço, posicionando-se e enfatizando que sua posição é uma contraposição, opondo-se à norma e ao legal instituído, como pronto e acabado.

Palavras-chave: Foucault; fotografia; sujeito invasor; contraespaço.

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Revista PerCursos: Negritude a varejo ou quando uma etiqueta é assimétrica: estratégias necropolíticas no campo das artes (Rodrigo Pedro Casteleira e Jefferson Campos)

RESUMO: Neste artigo, tematizamos os modos de (in)existência da negritude no interior do projeto colonizador de produção de conhecimento, arte e cultura na contemporaneidade. Nosso objetivo é o de compreender em que (des)medida algumas produções artísticas, ao tematizar a negritude, são rubricadas por autorias brancas, estas, sustentadas por efeitos de verdade produzidas no campo do fazer artístico. Nossa empreitada elege como objeto de análise a obra “Polvo”, produzida em 2013, pela artista plástica Adriana Varejão, e parte do questionamento que se delineia da seguinte forma: quais são as estratégias empregadas pela lógica colonial na manutenção das relações de poder estabelecidas no âmbito das artes, de modo que a existência negra se apague tanto no nível autoral, quanto no nível epistêmico da cultura? A partir de uma proposta teórico-analítica de caráter decolonial, cujas bases, são, necessariamente, um modo de inscrição negra no campo de produção de conhecimento, foi possível compreender que o etiquetamento universal, no campo artístico, se trata de uma espécie de estratégia necropolítica de apagamento da autoria negra no âmbito das práticas estabelecidas no campo cultural e artístico.

Palavras-chave: Arte brasileira. Negros – Identidade racial. Etiqueta universal.

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Revista Interletras: Heterogeneidade mostrada e texto imagético: a caracterização do analfabeto (Aline Almeida Inhoti e Jefferson Campos)

RESUMO: Neste trabalho de investigação linguística refletimos sobre como a imagem torna-se um recurso para completar a coerência, intensificar as formas da heterogeneidade mostrada, tais como o discurso direto e indireto e caracterizar o sujeito analfabeto em uma reportagem veiculada no Jornal Nacional (JN) em outubro de 2009. A perspectiva teórica adotada baseia-se na Linguística Textual e nos estudos acerca do discurso direto e indireto de Althier-Revuz (1990) e Maingueneau (1996). Ainda, elegemos Benites (2002), Fávero e Koch (1985) e Koch e Travaglia (2002) para compreender e subsidiar a análise centrada no texto jornalístico. A partir da nossa base teórica, o artigo tem como objetivos principais identificar as formas de heterogeneidade mostrada – o discurso direto e o indireto – analisar seu funcionamento textual e compreender como as imagens participam da construção dos sentidos do texto, em reportagem exibida no JN que possui como temática o analfabetismo brasileiro. Os resultados revelam que a imagem participa ativamente na ilusão de neutralidade da reportagem; é utilizada como um recurso textual; dá visualização ao discurso direito e indireto, intensifica as noções do texto centradas no usuário e caracteriza, juntamente com o texto verbal, o sujeito analfabeto brasileiro.

Palavras-chave: Linguística Textual. Discurso Direto e Indireto. Telejornalismo.

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O Museu Casa de Portinari e(m) conexões da rede: língua(gem), sociedade e as (não tão) novas tecnologias como estatuto do acontecimento discursivo (Jefferson Campos)

RESUMO: Neste artigo, situo as implicações de se pensar a história do presente a partir das maneiras de ver nas sociedades democráticas, pontuando a relação das (não tão) novas tecnologias sobre o modo de composição do museu digital Casa de Portinari. O empreendimento gestado a partir do escopo teórico-metodológico dos estudos discursivos foucaultianos delimita a noção de técnica na sua dispersão histórica e acontecimental como condição de emergência para materialização e circulação dos discursos sob modalidades enunciativas diversas, cujos efeitos sociais mais incidem sobre os modos de ler do que sobre os regimes de enunciação dos discursos sobre a arte, por exemplo. A imagem digital, em sua função enunciativa, é tratada como condição de possibilidade para discutir o estatuto da memória e suas redes de sentido na constituição dos modos de ler.

Palavras-chave: Museu digital. Técnica. Tecnologia. Acontecimento. Memória.

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Revista Discursividades: Práticas de normalização discursiva: o corpo negro na estética feminina portinariana (Jefferson Campos)

RESUMO: No presente artigo, tematizamos a representação visual da mulher negra brasileira na produção estética de Cândido Portinari. Sob o viés de uma análise dos discursos de orientação foucaultiana, objetivamos verificar se o princípio de enunciabilidade, na iconografia portinariana, se constitui por meio de uma normalização do fazer artístico. A análise aponta a existência de um regime disciplinado para a representação visual do corpo negro feminino, cuja condição de existência se sustenta na convergência entre história e memória, no ponto em que a sexualização do corpo torna-se, enquanto regularidade no discurso, materialidade significante dos sentidos do social.

Palavras-chave: normalização; estética portinariana; mulher negra brasileira.

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Brasil, Pátria educadora: memória discursiva e interdiscurso na tessitura da língua de Estado (Tacia Rocha, Luana Vitoriano-GonçalvesFlávia Barbosa)

RESUMO: A propaganda política utiliza técnicas de comunicação para materializar discursos partidários. O slogan é um exemplo, visto que mobiliza o funcionamento discursivo sobre as formas de governo do Estado, as ideologias partidárias, a imagem do candidato, sua principal estratégia de governo, e também representa uma vantagem em relação ao adversário político. O objetivo deste artigo é compreender, a partir da interpretação de sequências discursivas do pronunciamento de Dilma Rousseff, os modos como a memória discursiva determina a ordem do enunciável no lema “Brasil, pátria educadora”. Como arcabouço teórico-metodológico, recorre-se aos conceitos de memória discursiva e interdiscurso. Para tanto, abordam-se as características do discurso político e as especificidades da linguagem da propaganda. Os resultados indicam os efeitos de sentidos do lema, destacam o passado de uma pátria educadora para a elite e descortinam um presente fértil de ações efetivas do governo federal, apagando as contradições e apontando para um futuro prenhe de esperança na equidade social.

Palavras-chave: Análise do discurso. Discurso político. Propaganda política. Slogan.
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V DE VERSÕES NA REVISTA SÃOPAULO: O POSICIONAMENTO JORNALÍSTICO SOBRE MANIFESTAÇÕES DE RUA (Luana Vitoriano Gonçalves, Flávia Cristina Silva Barbosa, Tacia Rocha)

RESUMO: Neste trabalho discute-se, pela Análise de Discurso francesa pecheutiana, que versões sobre manifestações de rua a Folha de S. Paulo (in)visilibiza na Revista sãopaulo, ao retomar as manifestações do passado e compará-las por meio de categorias pré-construídas em um infográfico. De 12 categorias regulares nas manifestações, segundo o discurso da Folha, analisa-se o funcionamento de três delas: visual (dos manifestantes), slogans (pautas levadas às ruas) e ferramentas (meios para realização dos atos), o que gera, como efeito, uma negativação dos movimentos de 2013, na versão da revista em relação a essas mobilizações. Os resultados desvelam que na/pela revista sãopaulo, há deslize e negativação de sentidos, abrindo margens para outras interpretações dos vários períodos abordados pelo veículo. Ao tentar explorar versões como sendo a “abordagem literal dos fatos”, “a verdade”, a revista instaura sua versão sobre todos esses atos.

Palavras-chave: Manifestações de rua. Revista sãopaulo. Análise de Discurso.

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O SAMBA COMO ARTEFATO CULTURAL DE REITERAÇÃO E DE RESISTÊNCIA DO/AO PRECONCEITO EM “LADO A LADO” (Tacia Rocha, Luana Vitoriano-Gonçalves, Flávia Barbosa)

RESUMO: A televisão brasileira tem sido espaço privilegiado para adaptações de histórias que saem dos livros de História do Brasil e vão para as residências em forma de telenovelas. Nesse sentido, esta pesquisa consiste num estudo de caso qualitativo da novela Lado a Lado, produzida pela Rede Globo de Televisão e ambientada no Brasil dos anos 1903 a 1910, que se debruça sobre o espetáculo de samba apresentado por Isabel no Teatro Alheira, na segunda fase da novela. O objetivo é analisar como a trama aborda o Brasil multicultural, conferindo ao samba o status de resistência dos negros recém-libertos no início do século XX e como estratégia de reiteração do preconceito em relação ao “Outro”, o não branco. Para tanto, as análises são orientadas pelo arcabouço teórico dos estudos pós-coloniais. Os resultados revelam que nas cenas coexistem dois discursos acerca do samba apresentado por Isabel: o discurso do colonialismo que deslegitima e arranca o status de arte do nascente samba e o discurso da valorização da cultura mestiça, como um atributo positivo da cultura brasileira, reverberando o multiculturalismo.

Palavras-chave: Telenovela brasileira. Estudos pós-coloniais. Multiculturalismo.
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FOUCAULT X PÊCHEUX: O CONCEITO DE SUJEITO DO DISCURSO (Tacia Rocha, Luana Vitoriano-Gonçalves, Flávia Barbosa)

RESUMO: Pêcheux e Foucault são dois dos grandes representantes da análise do discurso francesa, dadas as proximidades e divergências dentro do dispositivo analítico a partir do qual se inscrevem. Um aspecto que os aproxima é o entendimento de que a exterioridade é determinante para a produção/significação dos discursos. A noção de sujeito é um dos conceitos que fornece parâmetros para se pensar as formulações teóricas de Pêcheux e Foucault. Neste trabalho, empreende-se uma proposta de análise a respeito da noção de subjetividade, levando em conta os pontos de convergência e divergência entre os autores, como, por exemplo, o conceito de ideologia e interpelação, que é fundante na teoria pecheutiana, e a noção de micropoder, presente nas principais obras foucaultianas. Para que a proposta seja efetivada, parte-se de uma materialidade audiovisual, intitulada Tecnologia na educação, publicada em 24 de agosto de 2015, pela plataforma Porvir, que tematiza a influência das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no processo de ensino. Ao longo da análise, o corpus se constitui a partir de recortes que materializam o sujeito i) afetado ideologicamente pelo discurso do ensino; na proposta pecheutiana; e ii) demarcado pela ordem do discurso e pela existência de micropoderes no contexto em questão, do ponto de vista foucaultiano. Fundamentam a pesquisa autores: da Filosofia (CHAUI, 2000); da Linguística (POSSENTI, 2005; GREGOLIN, 2004) e da análise do discurso, pecheutiana (PECHÊUX 1995; ORLANDI, 1988; 2009) e foucaultiana (VEYNE, 2014; AGAMBEN, 2009; FOUCAULT, 1995, 2000, 2008, 2015).

Palavras-chave: Sujeito. Ideologia. Micropoder.

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AS (RE)CONSTRUÇÕES IDENTITÁRIAS SOBRE O SUJEITO JOVEM MANIFESTANTE: MÍDIA, POLÍTICA E FORMAÇÕES IMAGINÁRIAS (Luana Vitoriano-Gonçalves e Flávia Barbosa).

RESUMO: As manifestações de rua, como forma de atuar político, marcaram inúmeros contextos do país. Isso porque na manifestação, a política, de forma direta ou indireta, passa a ser re-discutida pela massa integrante dos movimentos e que é colocada do lugar de sujeito-cidadão a exercer seu dever em socidade. Participar de uma manifestação é, contudo, ser sujeito e estar sujeito à língua(gem): os discursos dos/sobre os manifestantes não chega à população isento de ideologia; nos/pelos discursos (dos) outros o sujeito na manifestação é ressignificado. A mídia é uma das principais produtoras de discursos nestes casos, porque ela é legitimamente autorizada a falar sobre os acontecimentos que (des)estabilizam a cidade e a sociedade, além de se colocar no intermédio das relações político-sociais. Desta forma, para esta pesquisa, considera-se o modo como a mídia, mais propriamente o jornal impresso Folha de S. Paulo, discursiviza dois períodos de manifestações de rua, durante o processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, e no decorrer das manifestações de junho de 2013. Em termos teóricos e metodológicos, a proposta inscreve-se no dispositivo da Análise de Discurso francesa, pecheutiana, representada pelas contribuições de Orlandi (2001; 2003); Mariani (1999); e Coracini (2003). Considera-se que a mídia não está, de modo algum, isenta de opinião ao noticiar uma manifestações de rua, mas seu discurso é dependente das condições de produção que envolvem a enunciação, e, principalmente, relaciona-se com a posição da qual se enuncia. Por isso, o conceito de formações imaginárias é fundante para investigar as regularidades “rebeldes sem causa”; “as ‘faces’ do manifestante”; e “esquerdistas” quando a mídia tece um perfil para os manifestantes de dado período.
Palavras-chave: Manifestante; Mídia; Política.
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