Esta pesquisa tem como temática e como objetivo a constituição identitária do sujeito analfabeto pela revista Época, 2010. Por observarmos que, na contemporaneidade, a mídia circula discursos que versam sobre as políticas públicas de inclusão social do sujeito analfabeto, o trabalho busca demonstrar como a revista Época, 2010, pelo exercício do biopoder, (des)constrói a identidade do sujeito analfabeto brasileiro. Devido à mídia compor lugares de manifestações de saberes e poderes que possibilitam mobilizar a constituição de sujeitos na contemporaneidade, ela conjura-se como superfície de emergência de enunciados que se submetem ao que pode e ao que deve ser dito nos acasos de sua irrupção. Nosso movimento teórico-analítico fundamenta-se na Análise do Discurso de linha francesa, especificamente nos estudos de Michel Foucault. Recorremos, ainda, aos estudos culturais para compreendermos a constituição de identidades na contemporaneidade e na história da educação e dos processos de alfabetização, analfabetismo, alfabetismo, alfabetização funcional em nossa sociedade. Os quadros metodológicos são guiados pelos conceitos-chave: norma/normação/normalização, biopoder, biopolítica, disciplina, saber, poder, verdade, contradição, arquivo, enunciado e função enunciativa. Este aporte teórico permitiu-nos formar um arquivo de materialidades midiáticas veiculadas em 1971; 2003; 2008; 2009 e 2010, sendo apresentadas como: a) mídia impressa; b) mídia televisiva e c) mídia cinematográfica. Na busca pela verticalidade do campo associado, observamos que as práticas discursivas midiáticas irrompem na contradição no modo de ver e conceber o sujeito analfabeto. Esta contradição concentra-se, principalmente, no campo legislativo, no campo científico e no campo político/social. Dessa forma, o discurso mina-se na contradição que instaura um jogo de (re)significações na subjetivação do sujeito analfabeto, visível em práticas discursivas midiáticas. Estas, no último século, são regidas por dois conjuntos de mecanismos de funcionamento do biopoder, as disciplinas e a biopolítica. Nestes trâmites, servimo-nos da expectativa deste trabalho contribuir na atuação de professores, especialmente profissionais de Letras, Pedagogia e alfabetizadores, na medida em que norteia caminhos que desconstroem evidências de sentidos postas na história da educação. Não obstante, esperamos também colaborar no aperfeiçoamento da prática de leitura imagética, ao instigar profissionais a recorrerem à produção visual na docência escolar.

Vigência: 2009-2011

Coordenador(a): Aline Almeida Inhoti – Orientadora: Profa. Dra. Ismara Eliane Vidal de Souza Tasso