Defesa de doutorado da pesquisadora Luana Vitoriano-Gonçalves

Profª Dra. Luana Vitoriano-Gonçalves

No dia 04 de junho de 2020, a professora Luana Vitoriano-Gonçalves defendeu sua tese intitulada “Tecnologias, letramentos e língua portuguesa: o digital como prática inovadora no Colégio Estadual Indígena Kuaa Mbo’e”. Em seu trabalho, a pesquisadora discutiu sobre como o digital pode funcionar como uma ferramenta para a construção de saberes em contextos de diversidade cultural e linguística, para isso trabalhou com os temas: tecnologia, língua portuguesa, globalização, inovação, diversidade, nação e etnias.

Devido à pandemia da Covid-19, a defesa foi realizada de forma remota. A banca foi composta pelos professores:

  1. Prof. Dr. Wiliam César Ramos (UEM-PLE).
  2. Prof. Dr. Hélcius Batista Pereira (UEM-PLE).
  3. Prof. Dr. Kleber Aparecido Silva (UnB/Brasília-DF).
  4. Profª. Drª. Raquel Fregadolli Cerqueira Reis Gonçalves (FEITEP/Maringá-PR).
  5. Prof. Dr. Ismara Eliane Vidal de Souza Tasso – Presidente (Orientadora).
Defesa de doutorado

Leia mais:  a seguir o resumo da pesquisa.

VITORIANO-GONÇALVES, Luana de Souza. Tecnologias, letramentos e língua portuguesa: o digital como prática inovadora no Colégio Estadual Indígena Kuaa Mbo’e. Tese (Doutorado em Letras). Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2020.

RESUMO
A presente pesquisa teve por objetivo geral compreender o modo como os letramentos escolar e linguístico podem ser aprimorados (ou não), por práticas de letramento que incluam a ferramenta digital, de alunos do segundo e terceiro ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Indígena Kuaa Mbo’e e demais formados da comunidade Tekoha Añetete. Assim, sob a perspectiva teórica da Análise do discurso foucaultiana, (FOUCAULT, 2008; 2010a; 2010b; 2012a; 2012b; 2012c;), em diálogo com a Linguística Aplicada Crítica (RAJAGOPALAN, 2003), (MOITA LOPES, 2006), com a Linguística Textual (MARCUSCHI, 2008; 2013), (KOCH, 2011; 2012), com os Novos Estudos do Letramento (STREET, 2014), e com os Estudos Linguístico-gramaticais (NEVES, 2012, 2014), (BECHARA, 2009), (AZEREDO, 2012), buscamos propiciar condições de possibilidade para a constituição de saberes dos alunos do Colégio Kuaa Mbo’e, complementares à formação do ensino básico. Para isso, utilizamos a plataforma digital Udemy.com, na qual disponibilizamos o curso de preparação para o Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná intitulado “Fábrica de Letras: (E)laborando textos”, com 49 videoaulas sobre língua portuguesa, contemplando as habilidades de: leitura, escrita e oralidade (DCE-SEEDPR, 2008). O balizamento do aproveitamento do curso foi estabelecido por meio de avaliações diagnósticas – uma precedente e outra posterior ao curso. Como a “Tecnologia e inovação” é o dispositivo que rege a ordem das práticas discursivas circunscritas à pesquisa, elegemos como problematização a seguinte indagação: De que modo o dispositivo “Tecnologia e inovação”, por meio das Tecnologias da Informação e da Comunicação, pode funcionar como um recurso de aprendizagem eficaz para suprir algumas das lacunas educacionais, na ordem da leitura e da escrita, das comunidades indígenas do Paraná, bem como, criar condições de possibilidades para uma prática inovadora nessas comunidades? Justificamos esta pesquisa pela urgência na construção e no desenvolvimento de saberes sobre os regimes de ver e de dizer o sujeito indígena e sua prática com o digital, e, também, dos próprios alunos, futuros candidatos ao vestibular indígena. Consideramos, pois, a viabilidade de tornar a presente pesquisa de Doutorado uma possibilidade de assessoria aos alunos de comunidades indígenas que têm interesse em participar do processo seletivo do Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná, uma vez que nos preocupamos com as possibilidades de: fornecer um retorno efetivo para as comunidades indígenas no Paraná; promover investigações linguístico-discursivas sobre a relação dos sujeitos indígenas com a Língua Portuguesa; proporcionar melhorias do letramento escolar, linguístico e digital. Para tanto, estabelecemos a seguinte tese: os letramentos escolar, linguístico e digital podem contribuir na e para o aprimoramento da proficiência em língua portuguesa nas comunidades indígenas. Assim, a partir desse dispositivo foi possível propiciar o desenvolvimento da proficiência em Língua Portuguesa por meio do digital. O projeto foi bem recebido, aceito e aderido pelos alunos, comunidade e escola, por sua particularidade de permitir a construção de saberes dentro da escola indígena. As estratégias utilizadas na formatação dos módulos e das videoaulas garantiu a participação dos alunos do início ao fim do curso, havendo desistência de dois alunos, mas inclusão de outros dois. Assim, foi possível constatar, a partir dos resultados das análises qualitativas e quantitativas, que as 49 videoaulas com o total de 7 horas e 34 minutos, disponibilizada por meio da ferramenta digital, criaram condições de possibilidades para o aprimoramento dos letramentos escolar e linguístico, com isso, a proficiência em língua portuguesa. As práticas desenvolvidas nos permitiram concluir, ainda, que as melhorias/avanços nas demandas educacionais, no que se refere à leitura e à escrita, é um
processo que demanda não apenas o desenvolvimento do curso pré-vestibular online, mas também: melhores condições de acesso às ferramentas tecnológicas, ofertadas pelo Estado; parcerias entre academia científica, comunidade escolar (alunos, professores e diretor) e comunidade indígena (pais e lideranças indígenas); e um acompanhamento minucioso para promoção da autonomia do aluno.

Palavras-chave: Sujeitos indígenas. Dispositivo. Oficina de produção textual digital. Língua portuguesa. Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná.

 

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Luana Vitoriano

Doutoranda em Letras, pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), tem Estudos Linguísticos por área de concentração e Estudos do Texto e do Discurso por linha de pesquisa. Mestra em Letras, na área de Linguística (2016) e graduada em Letras (2013) pela UEM. Assume por eixos temáticos de pesquisa o discurso, a língua, a proficiência em línguas, procedimentos biopolíticos de inclusão e exclusão, políticas linguísticas e afirmativas. É pesquisadora do Grupo de Estudos em Análise do Discurso da Universidade Estadual de Maringá (GEDUEM/CNPq).

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