Está agendada a defesa da Tese do Professor Pesquisador Rafael Fernandes

Professor pesquisador Rafael Fernandes

A defesa de Doutorado do Professor pesquisador Rafael de Souza Bento Fernandes está agendada para o dia 19 de março de 2019. O doutorando Rafael apresentará sua defesa pública às 14h, no Bloco H12 – Sala 002, na Universidade Estadual de Maringá (UEM).

A pesquisa intitulada “Práticas discursivo-midiáticas sobre a corporalidade na construção do “homem Homem”: regimes de normalização e de exclusão” apresenta como problematização a inquietação: “Tendo em vista que a ordem do discurso vigente pressupõe a equidade dos gêneros, por que, em práticas discursivo-midiáticas brasileiras contemporâneas, irrompem “antigas” verdades sobre o homem viril, “naturalmente” dominador?”.

O Professor Rafael Fernandes, atualmente docente da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – campus de Marechal Cândido Rondon (UNIOESTE), cumpriu período de seu Doutorado Sanduíche no Instituto de Estudos Filosóficos da FLUC (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), sob supervisão do Professor Dr. Joaquim Braga.

Sua banca examinadora será composta pelos professores Doutores:

– Profª. Drª. Ismara Eliane Vidal de Souza Tasso (Presidente – orientadora de tese -UEM/PLE)

– Profª. Drª. Roselene de Fátima Coito (Membro do Corpo Docente – UEM/PLE)
– Profª. Drª. Érica Danielle Silva (Membro do Corpo Docente – UEM/DLP)

– Profª. Drª. Maria Cleci Venturini (Membro Convidado – UNICENTRO/Guarapuava-PR)
– Prof. Dr. Alexandre Sebastião Ferrari Soares (Membro Convidado – UNIOESTE/Cascavel-PR)

Confira o resumo completo da pesquisa do Professor Rafael:

 

RESUMO

“Homem HOMEM” é o modo como a marca de desodorantes Old Spice (P&G, 2014) define seus clientes, “machos” à moda antiga. A pesquisa, ao tomar de empréstimo essa designação, trata das práticas discursivo-midiáticas relativas à (re)construção do sujeito viril tendo como corpora campanhas publicitárias e posts de mídias digitais que tematizam o papel da centralidade masculina. Condição para a problematização que conduz o presente estudo: tendo em vista que a ordem do discurso vigente pressupõe a equidade dos gêneros, por que, em práticas discursivo-midiáticas brasileiras contemporâneas, irrompem “antigas” verdades sobre o homem viril, “naturalmente” dominador? Diante de tais inquietações, justificamos a pertinência deste estudo pela necessidade de se trazer continuamente ao âmbito da pesquisa científica reflexões sobre os sistemas de exclusão que instituem condutas modelares de sujeitos. Esperamos que esses debates se concretizem em ações que possam amenizar efeitos de práticas discriminatórias, as quais, paulatinamente, devem ser esvaziadas. À luz da análise do discurso de orientação francesa, em especial da teoria foucaultiana, objetivamos compreender o modo como se constitui a subjetivação nas práticas discursivo-midiáticas sobre a corporalidade na construção do “homem Homem”. Para tanto, em um primeiro momento, procedemos discussão teórica sobre a análise linguística e o enunciado em Foucault (2008). Em um segundo momento, discutimos o paradigma da medialidade, da importação somática e dos sentidos de corporeidade no que toca à questão das mídias digitais (BRAGA 2016; 2017). Em terceiro momento, por fim, analisamos os corpora de acordo com o arcabouço teórico-metodológico e princípios nocionais de virilidade (BAUBERÓT (2013); CAROL (2013); CORBIN (2013); THOMASSET (2013); THUILLIER (2013); VIGARELLO (2013a; 2013b) MELO, 2013; SCHNOON, 2013) e de corpo (GÉLIS, 2011; VIGARELLO, 2011; NOVAES, 2011; OLIVEIRA, 2011). Defendemos a tese de que a prerrogativa da equidade dos gêneros tornou-se terreno de contestações devido a instabilidades de ordem política e social que fazem reverberar o discurso conservador (regulado por dispositivo da tradição) sobre o papel de centralidade masculina, reconstruindo o sujeito viril de capacidades extraordinárias. Esse processo é alimentado por lógica dualista, própria dos sistemas digitais de circulação enunciativa. A violência do corpo adâmico masculino, revitalizado em sua constituição física (prática do treinamento), seu papel na sociedade (prática do sustento) e dever heterossexual da conquista (prática do cortejo) implica a exclusão. Mais que isso: existe dela. Assumimos que, com maior ou menor grau de assertividade, dizeres e imagens analisados ao longo do estudo endossam problemas endêmicos do Brasil como a agressão doméstica contra mulheres, o estupro e a violência contra o gordo, o “imprestável” e o efeminado (os três sistemas de exclusão postos em causa na tese).

 

PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICAS DISCURSO-MIDIÁTICAS; SUBJETIVAÇÃO; CORPO; VIRILIDADE; EXCLUSÃO.

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Luana Vitoriano

Doutoranda em Letras, pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), tem Estudos Linguísticos por área de concentração e Estudos do Texto e do Discurso por linha de pesquisa. Mestra em Letras, na área de Linguística (2016) e graduada em Letras (2013) pela UEM. Assume por eixos temáticos de pesquisa o discurso, a língua, a proficiência em línguas, procedimentos biopolíticos de inclusão e exclusão, políticas linguísticas e afirmativas. É pesquisadora do Grupo de Estudos em Análise do Discurso da Universidade Estadual de Maringá (GEDUEM/CNPq).

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