Pesquisadora do GEDUEM agenda defesa pública de Mestrado em Fevereiro

Tacia Rocha

O GEDUEM convida todos a prestigiarem a defesa pública de Mestrado da pesquisadora Tacia Rocha. A audiência ocorrerá na Universidade Estadual de Maringá, sala 203, Bloco G34 às 14h00.  O trabalho é intitulado: Professor Por Vir: Práticas de Subjetivação e(m) Inovação.

 

 

 

ROCHA, Tacia. Professor Por Vir: Práticas de Subjetivação e(m) Inovação. 2017. 230 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2017.

RESUMO

Regidas pela governamentalidade das tecnologias do biopoder e da biopolítica, as práticas discursivas circunscritas à globalização que versam sobre o professor têm lhe conferido o status de “inovador”, instituindo, assim, modos de conduta e regimes de verdade, pautadas na emergência de atualização das condições de existência do ensino e da aprendizagem no Brasil. Mobilizadas por essas questões de ordem nacional, cujas forças delas imanentes colocam, diuturnamente, em “xeque” a competência docente, servimo-nos dos pressupostos teórico-metodológicos erigidos por Michel Foucault, em intersecção com a Análise do Discurso franco-brasileira para o desenvolvimento da presente pesquisa. Para tanto, recorremos ao método arqueogenealógico dadas as condições de possibilidade de fazer ler e de fazer ver as relações de saber-poder que se inscrevem numa página virtual, espaço de promoção da normalização pedagógica do que é ser professor na contemporaneidade. A pesquisa utilizou um arquivo composto por decretos, leis, manuais, relatórios e planos educacionais que sustentam as condições enunciativas, bem como pela materialidade digital, “Tecnologias na Educação”, formulado pelo www.porvir.org que se autointitula como uma agência de notícias sobre tendências e inovações educacionais. O Porvir atribui a si a tarefa de orientar práticas educacionais inovadoras, inscrevendo-se, assim, na prática discursiva que tem por foco o professor inovador. Sob tal conjuntura, este trabalho organizou seu trajeto de pesquisa a partir das seguintes hipóteses: (i) o discurso pedagógico, ao promover as condições de existência para o professor inovador, possibilita a transição do “velho” professor para o professor “tecnológico”, instituindo verdades, modos de ser e agir sobre os outros e sobre si; (ii) o dispositivo discursivo da Sociedade da Informação e do Conhecimento age estrategicamente como uma maquinaria que opera na produção política de subjetividades, separa e exclui os que são produtivos dos que são improdutivos. Mediante as condições de possibilidade enunciativa e o investimento discursivo sobre o professor inovador, esta pesquisa desenvolve-se mobilizada pela seguinte inquietação: como os profissionais de educação, em especial o professor, é subjetivado em práticas discursivas de ambientes digitais, constituindo-o como “professor inovador”, sustentadas por regimes de governamentalidade, dados pelas tecnologias do biopoder e da biopolítica? Traça-se como o objetivo geral demonstrar o modo como se estabelece funcionamento do dispositivo Sociedade da Informação e do Conhecimento em práticas discursivas acerca do “professor inovador”, em circulação no ciberespaço – plataforma Porvir.org, as quais, sob o exercício da biopoder e da biopolítica, estabelecem regimes de verdade constituídos por princípios de produtividade, eficácia, eficiência e otimização no e para o campo educacional, especificamente, no trato do processo de ensino e da aprendizagem. Os resultados da pesquisa revelam que o molde de escola tal como ainda conhecemos e fomos educados está ou tende dissipar-se. Segundo a prática discursiva da Sociedade da Informação e do Conhecimento a formação, não pode mais ser reduzida à formal, embora a educação básica deva ser universalizada pela atuação do biopoder e da biopolítica, para que os sujeitos sejam minimamente escolarizados e possam seguir os seus estudos numa formação permanente. As formas de governo contemporâneas são os controles exercidos pela TICs, técnicas da governamentalidade que atuam de forma silenciosa e permanente, nas quais o poder abrange o sujeito professor, inventando formas de subjetivação incessantemente por meio da inovação.

Palavras-chave: Ciberespaço. Inovação na educação. Governamentalidade. Professor inovador. Biopolítica.

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Luana Vitoriano

Doutoranda em Letras, pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), tem Estudos Linguísticos por área de concentração e Estudos do Texto e do Discurso por linha de pesquisa. Mestra em Letras, na área de Linguística (2016) e graduada em Letras (2013) pela UEM. Assume por eixos temáticos de pesquisa o discurso, a língua, a proficiência em línguas, procedimentos biopolíticos de inclusão e exclusão, políticas linguísticas e afirmativas. É pesquisadora do Grupo de Estudos em Análise do Discurso da Universidade Estadual de Maringá (GEDUEM/CNPq).

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