Pesquisadora do GEDUEM agenda defesa de mestrado em fevereiro

Luana Souza Vitoriano (http://lattes.cnpq.br/5143420409516220)
Luana Souza Vitoriano

No dia 18 de fevereiro de 2016 às 9h, nossa pesquisadora, Luana de Souza Vitoriano, fará a defesa de sua dissertação de mestrado, intitulada: LÍNGUA PORTUGUESA NO VESTIBULAR DOS POVOS INDÍGENAS NO PARANÁ: CONFLITOS E CONTRADIÇÕES ENTRE POLÍTICAS LINGUÍSTICAS E SOCIAIS DE INCLUSÃOA audiência é aberta ao público e será realizada sala 203, Bloco G34, na Universidade Estadual de Maringá (UEM)*.

*sujeito a alterações

VITORIANO, Luana de Souza. A língua portuguesa no Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná: conflitos e contradições entre políticas linguísticas e sociais de inclusão. 2016. 200f. Dissertação (Mestrado em Letras). Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2016.

RESUMO

Em 2001 a Lei nº 13.134 estabeleceu-se como acontecimento histórico e, principalmente, discursivo, uma vez que foi capaz de modificar a ordem educacional do Ensino Superior do Estado do Paraná, em níveis sócio-culturais, políticos e econômicos. A criação dessa Lei possibilitou condições de emergência para a prática sócio-política e educacional de realização do Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná, espaço de visibilidade às divergências culturais e linguísticas do sujeito indígena contemporâneo, e condições para que os enunciados elaborados pelos candidatos inscritos revelem (ou não) sua proficiência, na modalidade escrita, da língua portuguesa. Diante dessas singularidades, aquilo que se enuncia sobre o vestibular e, principalmente, nas redações, circunscreve-se sob a égide de um efeito de raridade e de exterioridade, e acomoda um gesto de leitura e de interpretação, que correlaciona essas propriedades do enunciado aos seus efeitos de dispersão e regularidade. Assim, como problematização norteadora da pesquisa trouxemos as seguintes inquietações: Como o dispositivo da exclusão pela língua cria espaços de (in)visibilidades nas políticas afirmativas e linguísticas, as quais fundamentam a prática discursiva do Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná? E como esse mesmo dispositivo cria condições de possibilidade nas (re)constituições dos processos nos modos de dizer de si manifestados pela/na proficiência do candidato indígena em língua portuguesa? Para tanto, nos propusemos a investigar nesta pesquisa o arquivo composto por 57 redações do II Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná (2003), bem como o próprio processo seletivo em suas singularidades. Traçamos como objetivo geral da pesquisa: demonstrar os modos como as condições de emergência, (co)existência e possibilidade, que constituem o vestibular específico para os povos indígenas, criam espaços de (in)visibilidades para os modos de ver e dizer a proficiência dos sujeitos indígenas no Ensino Superior, e por objetivos específicos buscamos: i. Investigar as maneiras pelas quais a proficiência em Língua Portuguesa é capaz de captar o candidato/sujeito indígena no interior de formulações Biopolíticas; ii. Abranger os modos como as políticas afirmativas, bem como as políticas linguísticas, que constituem o processo seletivo do vestibular indígena são arquitetadas sob um dispositivo de inclusão imaginária e solidariedade; iii. Esclarecer por quais razões a singularidade dos enunciados produzidos pelos sujeitos indígenas contemporâneos expressa processos de subjetivação e de resistência às práticas sociais não indígenas, e ao funcionamento da língua portuguesa. O percurso teórico-analítico estabeleceu-se sob o regime de olhar da Análise do Discurso, de linha franco-brasileira, priorizando, especialmente, os princípios erigidos por Michel Foucault. Depositamos nossa expectativa e confiança na relevância deste estudo pela carência de pesquisas no âmbito das questões linguístico-discursivas relacionadas as populações indígenas no Paraná, não somente para deixar legados a pesquisadores das próximas gerações, mas, fundamentalmente, aprofundar conhecimentos que levassem à compreensão do modo como o dispositivo da inclusão imaginária e da solidariedade é capaz de subjetivar os sujeitos indígenas às práticas que correspondam à língua e cultura maternas, como também às práticas referentes à língua e cultura não indígenas. Fez-se necessário investir e urdir nesse processo seletivo, para depreender os modos como os procedimentos entendidos e formulados como políticas de “inclusão” circunscrevem-se sob a égide do regime de funcionamento de um dispositivo governado pela “exclusão”.

Palavras-chave: Biopolítica. Políticas linguísticas. Proficiência. Vestibular indígena. Inclusão-exclusão. Língua portuguesa.

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